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Como Matar seu Namorado

"Sou uma garota da página três. Sou uma estrela de Warhol. Sou lésbica. Sou uma Riot Grrrl. Sou a Rainha do Sexo. Sou uma dona de casa com um pote de veneno de rato"

A Capa da Bagaça!Tava mais do que na hora de alguém acordar. E graças a Deus, quem acordou foi Grant Morrison, o pôrra-louca que se encontrou com Buddy Baker nas páginas de Homem-Animal. Com o lançamento no Brasil da aparentemente despretensiosa revista "Como Matar Seu Namorado" (Tudo em Quadrinhos), um especial no qual ele, Philip Bond e D'Israeli mandam muito bem, a gente pode parar pra pensar: quem precisa dos intelectualóides?

O gibi conta a história de uma garota sem nome (porque pode ser qualquer uma). Uma colegial inglesa que vive num mundo de hipocrisia onde é forçada a fazer de tudo mas nunca pode fazer nada. Ela é uma contestadora nata: da escola pra casa, de casa pra casa do namorado tradicionalista, babaca e hipócrita, ela resmunga de tudo e todos, e durante a história, ela é a nossa guia, virando pra nós e conversando conosco como se fizéssemos parte do mundo dela (e não fazemos?).

Mas eis que, no ônibus de volta ao "lar", ela descobre um cara. Que também pode ser qualquer um. Só que ele é diferente. Ele age. Ele coloca a mão na massa. Ele contesta, e se manifesta. Padrões, lei, ordem, moralismos baratos, hierarquia...nada disso existe pra ele. Os dois se apaixonam...e correm por toda a terra da Rainha cometendo mil e uma loucuras e barbaridades...em nome do sentimento de liberdade.

E da paixão entre esta pseudo-burguesa e este marginal surge uma história sobre anarquia. De como as pequenas coisas que fazemos no nosso dia-a-dia podem ser mudadas apenas e tão somente por nós mesmos. E que nos mostra que os verdadeiros anarquistas, aqueles que estão contra toda e qualquer forma de controle, não são os pop-artistas ou estudiosos; não são os pintores revolucionários ou os punks, e nem mesmo as libertinas rainhas sado-masoquistas. Os verdadeiros anarquistas somos nós, os homens e mulheres comuns.

Pra escapar da rotina, basta só um passo nosso. Só um pouquinho de loucura e insensatez, mandando os autoritários a merda com um salto da cadeira. É isso que nos mantém vivos. Nesta história que Ela e o Pôrra-Louca!parece até um pouco surrealista (um pouco Almodóvar) pela sua agressividade, Morrison desfila uma deliciosa galeria de personagens com suas pequenas perversões, mentiras e hipocrisias (eu já disse isso?), mostrando o quanto o ser humano esconde sua verdadeira natureza pra tentar viver deste modo que ele mesmo classifica como civilizado.

Morrison criou uma história sem se prender ao fato de ser um gênio. É uma história genial exatamente por se perceber claramente que Morrison não tentou SER genial. Não precisou usar metáforas e nem literatura inglesa do século 19 pra fazer quadrinhos cabeça. De um roteiro típico de Quentin Tarantino, a história simplesmente...fluiu. Como se o velho Grant e os amigos tivessem tomado um porre contando piadas velhas e, enquanto assistiam reprises do Chips e comiam pizza fria, criaram esta história.

Aliás, este tipo de história, de seres humanos comuns, como Estranhos no Paraíso e o especial Hellblazer: Pátria Amada (que é do Garth Ennis e também é demais!), tem me atraído muito mais do que super-heróis em roupas apertadas, coloridas e totalmente bregas (convivência com o Carlinhos...) e magos, deuses e mestres dos sonhos. Simplesmente porque as nossas vidas, que parecem ser tão insignificantes, são mais interessantes do que imaginamos...





Isso foi só um trecho da revista!!! Animal, não ?

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